O Howard Levy montou uma escola virtual de Harmônica e está lecionando através do site. São $60 dólares por 3 meses de acesso, onde o aluno pode inclusive gravar um vídeo em uma webcam com suas dúvidas que o Howard responde via vídeo ou por texto.

O vídeo abaixo explica melhor a situação, parece ser bem interessante.

Mais informações também no site.


Twitter do BC

23Nov09

Para quem ainda não viu agora o BC está também no Twitter, a idéia lá é postar notícias mais rápidas com relação à técnica do cromatismo na harmônica diatônica como shows, vídeos e myspaces diversos. Também pretendemos postar não só os assuntos de cromatismo, mas também de música em geral. Assim haverá uma diminuição da quantidade de posts aqui no blog, onde pretendemos colocar apenas assuntos mais específicos e mais aprofundados.

As atualizações do twitter podem ser vistos aqui na lateral direita do blog, mas convidamos você a seguir-nos no seu twitter também.

http://twitter.com/blogcromatismo


duas dicas.

19Nov09

Olá amigos, peço desculpas pelo blog estar este período sem atualizações. Mas já estamos organizando novos posts para este fim de ano, aguarde que novidades interessantes estão por vir. Por enquanto vou deixando duas dicas.

A primeira é um vídeo do gaitista belga Tinus Koorn com exemplos das escalas maiores e seu respectivos arpeggios.

Outros exemplos de didática do instrumento podem ser encontrados no seu site Tenhole.com com áudio e partituras.

A outra dica é que visitem o MySpace do amigo Rafael Domingos, já conhecido pela comunidade gaitífera pelo seu trabalho como luthier de gaitas diatônicas, cromáticas e escaletas, mas que apresenta também um belo trabalho na execução do instrumento, muito voltado para o choro.

É isso aí, viva a gaita diatônica e suas diversas formas de ser executada.


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Hoje chegamos com uma colaboração do Júlio Rêgo, grande harmonicista de Aracaju – SE. Ele nos enviou por e-mail um texto muito interessante sobre um capítulo da história da flauta, num período de transição no que diz respeito a construção do instrumento.

É possível ver no texto uma relação muito parecida com o que temos vivido com o surgimento e evolução do cromatismo na diatônica, a questão da afinação, apogeaturas, potencial expressivo, etc…

Fica aqui o agradecimento do blog Cromatismo ao Júlio por este presente. Vamos ver se rola mais adiante de conseguir o texto na íntegra pra colocarmos aqui numa seção de artigos, quem sabe.

P.s.: Teve gente confundindo achando que o texto é do Júlio por um erro de redação minha, o texto que ele descobriu faz parte do livro “METODOS DE FLAUTA DO BARROCO AO SECULO XX” de Laura Rónai.

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Nas últimas décadas do século XVIII a flauta já era parte da orquestra, e os fabricantes de flauta começaram a tentar expandir a possibilidade de execução de semitons cromáticos. Para isso, e para eliminar o problema das combinações digitais em forquilha, começaram a pensar em criar orifícios específicos para cada semitom. Como, porém, o número de dedos do ser humano é limitado, havia a necessidade de se introduzirem chaves.

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Numa flauta barroca, que exige freqüentemente dedilhados de forquilha, nem sempre é possível executar trilos de semitom, e mesmo os de tom inteiro podem ser traiçoeiros. Muitas vezes o único recurso plausível é fazer longa appoggiatura com a nota “certa” (o semitom) e em seguida trilar com a nota “errada”, o tom inteiro. Assim cada trilo tem uma cor única (ou uma desafinação característica, se pensarmos dentro de parâmetros modernos!), e é muitas vezes impossível fazer uma seqüência de trilos com igual qualidade de timbre. Devemos lembrar também que a função do trilo no Barroco não é a mesma do que nos séculos subseqüentes. As dissonâncias causadas pelo trilo eram sua principal razão de ser. Com o advento das chaves, a regularidade passa a ser possível e desejável.

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O tubo [da flauta barroca], por exemplo, ao invés de ser cilíndrico, assim como na flauta atual, era cônico. Isto produzia uma desigualdade entre as notas que, ao contrário do que se pensa hoje, era considerada uma vantagem, já que produzia notas com “personalidade” própria. Neste simples fato pode-se perceber a propensão do Barroco de se enfatizar as diferenças, justamente o oposto da era moderna, em que a tendência é a padronização. Quanto ao sistema de chaves, havia de início uma chave apenas, e os orifícios eram cobertos diretamente pela polpa do dedo, o que, se diminui sensivelmente a rapidez de digitação, abre todo um universo de sutilezas sonoras ao alcance dos dedos do intérprete.

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Considero fundamental analisar a desigualdade rítmica em relação à desigualdade sonora. (…) A desigualdade resultante da furação do tubo da flauta do século XVIII faz com que necessariamente as notas se dividam em “melhores” e “piores”. Esta desigualdade sonora explica facilmente a desigualdade rítmica, um traço importantíssimo da música barroca, principalmente francesa. Existe uma tendência instintiva de se apoiar as notas “boas” e de se tocar com suavidade as notas “ruins”, que faz com que uma escala barroca nunca soe como o “colar de pérolas” tão almejado pelos músicos atuais.

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O século XVIII é um período em que o temperamento igual é ainda uma novidade, que praticamente prepara o advento do período seguinte, o Classicismo. A riqueza muito maior de possibilidades de modulação, razão de ser do temperamento igual, foi conseguida graças a uma perda do poder expressivo gerado pela diferença de cada nota dentro de cada escala. (…)
 
É apenas com a adoção do temperamento igual que as tonalidades passam a ser equivalentes, e as escalas, regulares. E é devido às necessidades de ampliar o som e de homogeneizar as escalas que os fabricantes irão desenvolver os instrumentos modernos. Se, em termos de técnica flautística, o século XVIII almeja a irregularidade (e não é à toa que este período veio a se chamar “Barroco”) e a expressividade, o século seguinte irá em busca da fluência e do volume sonoro.

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Muitos flautistas se opuseram frontalmente a uma mudança de concepção que, como dizia Cramer, vinha substituir a estética do “fort bien” pela do “bien fort”. No famoso Prefácio ao seu método de 1851, em que ataca vigorosamente a nova flauta de Boehm, Tulou observa “ser de uma importância fundamental conservar em cada instrumento a diferença de timbre que lhe é peculiar; pois é esta diferença que constitui, em grande parte, o charme da música”.
 
(…) Fürstenau, em seu Kunst des Flöten Spiels, deixa clara sua oposição à flauta Boehm, que acusa de ter um som monótono. Os defensores da flauta de sistema simples não estavam dispostos a abrir mão da maior variedade tímbrica do instrumento antigo apenas para ganhar afinação mais precisa, um escopo maior de dinâmica e a fluidez técnica que a flauta Boehm prometia.
 
(…) Assim como colecionava detratores, naturalmente Boehm atraía também partidários fanáticos pelos seus novos modelos de flauta. Paul Hippolyte Camus, por exemplo, reivindica a primaziaem recomendar fervrosamente este novo instrumento:
 
        [...] todas as vozes da flauta Boehm soam límpidas e naturais, possuem maior volume, maior força, maior doçura, maior segurança que todas as outras flautas utilizadas; e permite ao executante certos contrastes e nuances que não podem ser obtidos nos outros instrumentos.

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O fato da flauta barroca não ter as mesmas possibilidades de dinâmica afeta a interpretação sob vários aspectos, assim como afeta o próprio ensino do instrumento: os contrastes são menores e dependem muito mais do uso apropriado de inflexões de tempo e variações de cor. O intérprete moderno que quiser ser o mais fiel possível às intenções do compositor barroco deve, portanto, prestar especial atenção ao equilíbrio entre as vozes, e deve tentar não abusar de efeitos de dinâmica, explorando ao máximo os outros recursos expressivos da flauta, tais como inflexões de tempo, variação de articulação, respirações judiciosamente escolhidas para enfatizar as intenções do compositor, etc…

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A ausência de chaves e conseqüente abundância de dedilhados de forquilha são fatores fundamentais para a determinação da duração das appoggiaturas que antecedem os trilos. Assim, o trilo cadencial barroco, que em geral se inicia com uma appoggiatura superior forte e longa, seguida de alternação rápida e piano das duas notas, não é assim apenas por razões harmônicas, ou porque os compositores decidiram que desta forma soava melhor (o que inegavelmente é verdade!), mas porque, na maioria das vezes, esta era a única maneira de serem executados em um instrumento da época. Portanto o flautista que toca uma flauta barroca não precisa aprender regras sobre os trilos: essas regras se impõem automaticamente.


Aê, se liguem, quem estiver no sul do país, é claro. 

A partir de amanhã, dia 19, até Domingo, dia 25, acontecerá na cidade de Blumenau um evento que pretende unir os conhecimentos de astronomia e música. É a “Semana de Ciência e Tecnologia de Blumenau”. A Hering Hamônicas está envolvida na organização e colocará a disposição do público duas exposições chamadas: “85 anos da gaita no Brasil” e “Cromatismo na Gaita Diatônica”, que acontecem durante todo o período do evento das 9h as 18h, o material estará disposto no Mausoleu, um importante ponto turístico da cidade.

Destacamos também os Workshops dos gaitistas Jefferson Gonsalves (‘A gaita na música nordestina’ dia 23 as 14h30) e Otavio Castro (‘O cromatismo na gaita diatônica’, dia 24 as 16h) além da palestra do físico, gaitista e desenvolvedor de instrumentos, Fabrício Casarejos com o tema “Acústica musical aplicada ao desenvolvimento de instrumentos musicais”, dia 24 as 15h, onde ele falará de sua pesquisa que já foi comentada em entrevista com ele aqui mesmo no nosso blog ‘Cromatismo’. Além de shows, é claro, nos respectivos dias dos workshops de cada harmonicista, as 19h.

O evento conta também com outras esposições na área da ciência, além de exibição de filmes temáticos e observações astronômicas.


gal00001771_kl_Joe_Filisko

A notícia já está velha, o pessoal de BH já descobriu e divulgou, mas mesmo assim é bom divulgar mais um pouquinho. O gaitista e luthier Joe Filisko estará em BH, mais precisamente na UFMG, entre os dias 6 e 8 de Outubro para ministrar dois workshops, um para gaitistas iniciante e outro para intermediários.

O destaque sobre a carreira de Filisko está em ter sido o luthier que, trabalhando junto de Howard Levy, ajudou a desenvolver técnicas de lutheria para facilitar o cromatismo.

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Old Town School of Folk Music – Workshop
Professores da Old Town School of Folk Music (Chicago/EUA) visitarão a Escola de Música e darão workshops nos dias 6 e 8 de outubro. Nível iniciante e intermediário. Os professores Joe Filisko (Gaita harmônica) e Steve Doyle (violão/guitarra) são especialistas em Blues. (Saiba mais)
Maiores informações: walenia.silva@gmail.com

Fonte: http://www.musica.ufmg.br/

Workshop 1 – 6 a 8 de Outubro, R$ 30, 19:00 a 20:15 – Iniciantes (pré requisito = gostar de blues)
Workshop 2 – 6 a 8 de Outubro, R$ 30, 20:30 a 21:45 – Intermediário (pré requisito = domínio do instrumento)

(via gaitabh.blogspot.com)


Pesquisando um pouco no Youtube achei estes dois camaradas que estão se dedicando ao cromatismo, o primeiro na Espanha e o segundo na França.



charlier

O gaitista francês Sebastien Charlier mudou o site dele. Está mais interessante pois dá pra ouvir mais músicas que o anterior, mas o chato é que só tem versão em francês.

Deu pra achar também um teaser do novo disco dele, deste ano, com uma abordagem mais Rock Fusion.


O gaitista Rafael Domingos (MG/RJ) já é reconhecido no mundo da lutheria de harmônicas por seu trabalho em prol do cromatismo, trabalhando para tornar a harmônica diatônica um instrumento universal. O Leandro Ferrari (BH), como colaborador do jornal ‘O Debate’, disponibilizou um texto sobre o trabalho deste grande luthier em sua coluna.

Eis o link.


Will Scarlett

Will Scarlett

A postagem de hoje é para falar sobre uma pouco conhecida lenda das técnicas do blues e do cromatismo (ou overblow, como preferirem). Seu nome varia entre Will Scarlett, Will Scarlotti ou mesmo Will o’Scarlett.

É sabido que a possibilidade de se cromatizar uma gaita diatônica é minimamente conhecida desde o início dos anos de 1900, mas ela só foi vir à tona como possibilidade real em 1970, que todos atribuem ao grande gaitista americano Howard Levy que gravou seu primeiro disco em 1977. Porém o que poucos sabem é que antes dele Will Scarlett já vinha se dedicando a este campo tenebroso para a época. Will é um gaitista muito dedicado ao blues, toca desde os quatro anos de idade, segundo ele, quando sua irmã lhe presenteou com uma gaitinha da Hohner chamada Little Lady. Durante sua sua carreira também se dedicou a desenvolver combos de madeira para harmônicas, prova de que sua dedicação a harmônica foi intensa. Uma curiosidade sobre sua trajetória é que ele substituiu o Sonny Terry e tocou ao lado de Brownie McGhee por seis semanas seguidas em 1968.

Will Scarlett e Brownie McGhee - 1968

Will Scarlett e Brownie McGhee - 1968

Mas o que mais chama a atenção na sua evolução como gaitista é que entre os anos de 1969 e 1971 Scarlett se dedicou a tocar apenas uma Hohner Navy Band afinada em Sol (G), com a qual gravou dois discos junto ao grupo Hot Tuna – ‘Hot Tuna’ de 69 e ‘First Pull Up Then Pull Down’ de 71 – onde a gaita é usada numa numa “>abordagem muito diferenciada para a época, tocando em diversas tonalidades, algumas muito pouco utilizadas por gaitista de blues como a “10ª posição”, o que corresponde a tocar em Bb numa harmônica em G. Ouvindo a estes dois disco me ficou muito clara a influência dele sobre o fraseado de gaitistas como Carlos Del Junco e Howard Levy quando tocam blues ou country. Parece que Will Scarlett sabia exatamente onde estava caminhando, cheio de certeza e confiança em seus improvisos, sem contar a inventividade digna de um pioneiro.

Ps.: Esta postagem foi uma sugestão de Otavio Castro.